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Fanuel C. GlanzmannBiblioteca · Psicólogo
Recursos livres

Histórias terapêuticas

Metáforas curtas para pensar a própria vida. Leia devagar e fique com a pergunta do final.

Mudança e recaídas

O GPS que recalcula

Marta saiu de casa com o GPS ligado. No meio do caminho, errou uma saída. O aparelho não disse “você é um fracasso” nem “volte para casa”. Disse apenas: “recalculando rota”.

Em dez segundos, havia um novo caminho. Um pouco mais longo, talvez, mas que ainda levava ao mesmo destino.

Quando você sai do plano, pode fazer o mesmo: perceber o desvio, respirar e recalcular. O destino continua lá.

O que você diria a si mesmo se tratasse seus erros como um GPS trata uma saída perdida?

Mágoas e peso emocional

A mochila das pedras guardadas

Um caminhante juntava uma pedra a cada ofensa que recebia. Guardava todas na mochila, para nunca esquecer. Com os anos, ele andava cada vez mais devagar e já não via a paisagem: só olhava para o chão.

Um dia, cansado, sentou e abriu a mochila. Algumas pedras ele reconheceu e decidiu que ainda precisava levar. Outras, nem lembrava de onde vinham.

Deixou algumas ali, na beira da estrada. Não porque as ofensas não tivessem acontecido, mas porque ele queria voltar a caminhar.

Que pedra você carrega há tanto tempo que já nem lembra de onde veio?

Ansiedade

O detector de fumaça da cozinha

Na casa de Paulo, o detector de fumaça apitava sempre que alguém fazia torrada. No começo, a família corria assustada. Depois, aprenderam a perceber: era só fumaça de pão.

Eles não arrancaram o aparelho. Ele continuava útil para um incêndio de verdade. Apenas pararam de tratar cada apito como uma emergência.

A ansiedade funciona parecido. O alarme pode tocar. Você pode olhar, conferir se há fogo e, se for torrada, abrir a janela e seguir o dia.

Quais “torradas” têm disparado o seu alarme ultimamente?

Autocuidado e constância

O jardineiro paciente

Uma mulher plantou sementes e, no dia seguinte, foi ver se já tinham brotado. Nada. Voltou no outro dia e cavou um pouco para conferir. Nada ainda, e agora as sementes estavam fora do lugar.

Um vizinho, jardineiro antigo, sorriu e disse: “a semente trabalha no escuro. Sua parte é regar e esperar”.

Mudanças internas também crescem antes de aparecer. Regar todos os dias, mesmo sem ver resultado, faz parte do processo.

Que pequena rega você pode oferecer à sua mudança hoje, mesmo sem ver resultado ainda?

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Hábitos e cérebro

As duas trilhas na mata

Em uma mata, existe uma trilha larga, aberta por anos de passagem. Ao lado, você quer abrir uma nova. Nas primeiras vezes, a nova trilha tem mato alto, galhos e é cansativa. A antiga chama: é mais fácil.

Mas, a cada vez que você passa pelo caminho novo, ele fica um pouco mais aberto. E a trilha antiga, sem uso, começa a ser coberta pela vegetação.

Hábitos funcionam assim. O novo é difícil no começo porque ainda não é caminho. Ele vira caminho de tanto ser percorrido.

Que trilha nova você tem tentado abrir? Quantas vezes já passou por ela?

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Pensamentos repetitivos

O rádio da vizinha

Uma vizinha deixava o rádio ligado o dia todo, em um volume que atravessava a parede. No começo, João tentava não ouvir, o que só deixava o som mais presente.

Um dia, decidiu fazer diferente: deixou o rádio tocar ao fundo e voltou a atenção para o livro que lia. O rádio continuou ali, mas deixou de ser o centro.

Pensamentos repetitivos podem ser assim. Brigar com eles aumenta o volume. Reconhecer que estão tocando e escolher para onde levar a atenção diminui o seu poder.

Qual “rádio” anda tocando na sua mente? Para onde você gostaria de levar sua atenção?

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Primeiros passos

A ponte de tábuas

Um homem queria atravessar um rio largo. Ficou dias na margem esperando ter coragem para atravessar de uma vez, nadando. A coragem não vinha.

Uma criança passou por ali e perguntou: “por que você não coloca uma tábua de cada vez?”. Ele riu, mas tentou. Uma tábua no primeiro dia. Outra no segundo.

Semanas depois, ele estava do outro lado. Não tinha ficado mais corajoso: tinha ficado mais prático.

Qual seria a primeira tábua da sua ponte?

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Estresse e pausas

O copo de água erguido

Uma professora ergueu um copo de água e perguntou à turma: “quanto pesa?”. Uns disseram duzentos gramas, outros trezentos.

“O peso exato importa pouco”, ela disse. “Se eu segurar por um minuto, tudo bem. Por uma hora, meu braço dói. Por um dia inteiro, vou precisar de ajuda.”

As preocupações e demandas são como o copo. O problema nem sempre é o peso, mas o tempo que passamos sem colocá-lo na mesa.

Em que momento do seu dia você pode colocar o copo na mesa, mesmo por alguns minutos?

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Emoções e atenção plena

O céu e as nuvens

Em dias de tempestade, parece que o céu desapareceu. Só há nuvens escuras, trovões, chuva. Mas o céu continua lá, acima de tudo, inteiro.

As nuvens passam. Algumas rápido, outras devagar. Nenhuma fica para sempre.

Suas emoções podem ser como o clima: intensas, mutáveis, às vezes assustadoras. E você pode ser como o céu, o espaço onde elas acontecem e passam.

Que “nuvem” está passando por você agora? Consegue lembrar que o céu continua lá?

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Valores e escolhas

A bússola e o mapa

Uma viajante perdeu o mapa no meio da trilha. Entrou em pânico: sem mapa, não saberia o caminho exato. Então lembrou da bússola no bolso.

A bússola não mostrava cada curva, mas indicava a direção. Com ela, cada escolha podia ser feita perguntando: “isto me leva para o norte?”.

Nem sempre temos o mapa completo da vida. Mas podemos ter uma bússola: aquilo que é importante para nós. Com ela, mesmo sem saber cada curva, conseguimos caminhar.

Qual é o “norte” que orienta as suas escolhas? Esta semana você caminhou nessa direção?

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Autocompaixão e cuidado

A vela que acende outras

Uma vela acesa pode acender muitas outras sem perder a própria chama. Mas, se ela se apagar tentando iluminar todo mundo, deixa de iluminar qualquer um.

Cuidar de si não é egoísmo. É manter a chama viva para que ela continue aquecendo quem está por perto, inclusive você.

O que tem alimentado a sua chama? E o que tem soprado ela?

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Crises e regulação

O barco e a âncora

Em uma tempestade, o barqueiro sabia que não podia acalmar o mar. Podia, porém, lançar a âncora. O barco continuava balançando, mas não era arrastado para longe.

Na crise, você não controla as ondas. Mas pode lançar sua âncora: a respiração, os pés no chão, uma voz conhecida. A tempestade passa, e você continua no lugar.

Qual é a sua âncora quando as ondas ficam altas?

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